domingo, 29 de janeiro de 2017

Vanguarda - A História de uma vida

Vanguarda – O Início
Capítulo I – De uma fagulha, a chama.

Luchg não era um humano novo, mas também não era velho. Ele estava chegando ao seu quinquagésimo aniversario e já possuía barba e cabelos brancos como a neve que caía sobre Nevopólis. Luchg vivia isolado de tudo e de todos, preferia o som do oceano e das gaivotas e a calmaria de um dia silencioso ao invés da agitação da cidade, sua casa de madeira era cercada por salgueiros e carvalhos que reproduziam refrescantes sombras e por ali raramente passava algum ser vivo a não ser os duendes que uma vez ou outra surgiam caminhando pelo lugar e Luchg os ouviam resmungando da vida. Os duendes por mais audaciosos que podiam ser não se atreviam a invadir a casa de Luchg afinal conheciam bem a sua habilidade com a espada devido a acontecimentos passados e por isso o respeitavam mesmo que se sentissem forçados a isso.
Em um dia ensolarado como outro qualquer Luchg ouviu gritos vindos do lado Oeste da sua casa e se aproximou o mais rápido possível do local até encontrar uma criança cercada por três malditos duendes, o sagaz homem rapidamente expulsou as criaturas e levou a criança para dentro de sua casa e lá descobriu que aquela criança havia se distraído o suficiente para acabar saindo da sua cidade e se perdendo pelo caminho até que finalmente encontrou Luchg que logo descobriu que a criança era uma moradora da cidade de Burthope que o mesmo ouvira falar apenas há muitos anos atrás o que não seria novidade afinal viver isolado não é a melhor forma de se manter informado das coisas. Luchg revirou umas caixas bastante degradadas e no fundo encontrou um mapa do próprio Mundo de Guilenor e decidiu levar a criança de volta aos seus pais. Foram cerca um dia e meio de viagem até os dois chegarem aos portões de Burthope e entrarem sem muito caso, a criança explicou que eles estavam passando na verdade por Taverley e que Burthope era um pouco mais pra cima, mas Luchg mal conseguiu prestar atenção no que a criança tinha acabado de falar, pois estava espantando com o que estava vendo; No chão diversos trolls mortos e casas destruídas, muito diferente do que ele havia pensado de como seria na cidade. Seguiu para o Norte chegar na casa do pequeno garoto e pelo caminho avistou diversos guardas feridos e muitas pessoas assustadas.
A mãe do garoto o recebeu com uma infinita felicidade e agradeceu ao Luchg pelo seu feito, mas Luchg ainda estava curioso pelo que estava acontecendo e a mãe do menino contou que a população de Burthope há muito tempo sofre com ataques de trolls e que o seu marido tinha partido para um ataque junto a uma pequena tropa a dois dias e até o momento não haviam retornado, a criança ao ouvir aquilo ficou bastante triste e Luchg percebeu que não poderia ir embora deixando as coisas como estavam e decidiu ir procurar pelo pai da criança. Perguntou o caminho e para ele foi apontado as grandes montanhas de rochas que ficavam ainda mais ao Norte.
Luchg era um excelente rastreador afinal para se viver tantos anos em uma floresta era necessário aprimorar algumas habilidades e rastrear era uma delas. Seguiu para o Norte rastreando pegadas e flechas caídas ao chão assim como pequenas pedras e vestígios de fogueira até encontrar a entrada de uma caverna e ele não hesitou em adentrar na caverna escura, pegou da sua mochila uma pequena tocha e a acendeu usando suas habilidades e se deparou com um caminho reto e apertado que levava a uma única direção. Seguiu adiante até encontrar a saída da caverna  e andou mais um pouco até finalmente encontrar a guarnição do pai da criança sendo cercada por diversos trolls, os guardas formavam uma parede de escudos de formato circular e lanças para impedir os trolls de avançar. Luchg empunhou as suas duas espadas e iniciou um incrível combate contra os trolls, os golpeava rapidamente e em menos de vinte minutos todos aqueles monstros estavam caídos no chão mortos. O salvador de todos agora ia ao encontro dos guardas e os guiou de volta a cidade e ali os guardas reencontraram suas famílias.

Salvos e felizes, os guardas decidiram homenagear aquele homem que os salvou e pediram que ele ficasse por mais alguns dias para ajudar na guerra contra os trolls e mesmo receoso Luchg concordou e percebeu que talvez o algo ou alguém  quisesse mostrar que ele estava destinado a aquilo, que ele estava destinado a achar aquela criança, que ele estava destinado a ajudar aquelas pobres pessoas, ou não. 

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